Ahab ou Moby Dick ( Para
Alexandre Magnos Gomes)
Meia noite na cidade do pó
Uma bala passa voando e,
Assobiando rente a minha orelha ao mesmo tempo,
Que eu ouço gritos de: pega gente pega gente,
Pega o pé de pano.
Passei sebo nas canelas
Que o meu peito não é de aço.
Morando na cidade do pó embora não me sinta velho
E o Eclesiastes diga que não exista nada de novo sob o sol
Envelheci com uma barriga de cerveja.
Também dita calo de balcão, calo de sinuca
Quem for botequeiro
entenderá.
Meu esporte preferido
É tentar a sorte na roleta russa dos amores proibidos.
Hoje o meu coração amanheceu mal ajambrado
E eu me pus a pensar que essa história de sabedoria
É história pra boi dormir.
Se é verdade que os bons morrem cedo
Nós que envelhecemos, envelhecemos
Para continuar a fazer as mesmas merdas.
Encerrei minhas buscas sem descobrir,
Quem é a quarta pessoa da santíssima Trindade
Mas cheguei à conclusão de que o poeta
É definitivamente o quinto elemento.
É manhã de domingo.
Estou com uma mão no suicídio
E a outra mão no cabrito.
Formigas miúdas sobem pela cerâmica
Branca da parede.
Dois bebês lagartixa saíram correndo.
Detrás da porta de madeira do banheiro
Assim que me sentei no vaso sanitário.
Eca! Eca! Eca! Devem terem ditas entre si.
Lá na língua secreta das lagartixas.
Na mente a imagem do corpo
Da morena que me visitou ontem
À noite, e não era sexta-feira.
Ela me disse que é formada em medicina nativa
E que o seu bisavô é era índio Krenak
Ela fez bronze e tatuou no corpo o nome do namorado.
Depois que ela se foi eu fui dormir
E sonhei com o que foi real
Eu dando tapa na bunda maravilhosa dela.
Tapas e mais tapas moderadamente
Sobre o nome de santo do namorado dela.
Meu xará, cujo segundo nome é Vital
Em homenagem a Santo Vital De Milão.
Será que quando envelhecemos.
Envelhecemos para continuar fazendo
Mesmo sabendo dos riscos
As mesmas merdas de sempre.
Estou mergulhado em águas tão profundas
Que já não sei se sou o Capitão Ahab
Ou o enorme e belo cachalote Moby Dick.
Copyright© Tom Vital 13/09/2026