quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O Ano Da Serpente

 

O Ano Da Serpente.

Sou de peixes.

Mas pelo horóscopo chinês nasci,

No ano da serpente de madeira.

Minha bússola moral anda bastante biruta

Eu nunca fui bom em álgebra.

Minha matemática sempre foi a das palavras.

Onde dois e dois são cinco.

Sei que sou feijão sem bicho,

Sangue mineiro coração ardente.

Gata sei que você é louca de pedra

E que você toma Rivotril desde

Os seios maternos.

Nada contra nenhum preconceito

Conheço muita gente boa

Que toma ansiolíticos,

Mas você é realmente louca.

Numa mão de dez

Você me serve.

Numa mão de dez

Você é a melhor opção.

Fora isso prefiro ter juízo.

Embora você domina magistralmente

A técnica do pompoarismo.

Eu não bebo mais cachaça de macumba

Não que eu tenha ficado rico.

Mas hoje os despachos são tão pobres, com

Cachaça de carote moedas e notas de dois reais.

Na minha adolescência dava para fazer uma festa.

Os despachos tinham notas de bom valor.

A cachaça era de boa qualidade

E de vez em quando uma garrafa,

De whisky teacher's 12 anos.

E um maço de Marlboro ou Carlton.

Eu nunca fumei, mas o cigarro,

Servia para conquistar as minas roqueiras,

Nos bailes de sábado à noite.

Na discoteca terceiro mundo.

Copyright© Tom Vital/30/09/2026

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Ahab ou Moby Dick

 

Ahab ou Moby Dick  ( Para Alexandre Magnos Gomes)

Meia noite na cidade do pó

Uma bala passa voando e,

Assobiando rente a minha orelha ao mesmo tempo,

Que eu ouço gritos de: pega gente pega gente,

Pega o pé de pano.

Passei sebo nas canelas

Que o meu peito não é de aço.

Morando na cidade do pó embora não me sinta velho

E o Eclesiastes diga que não exista nada de novo sob o sol

Envelheci com uma barriga de cerveja.

Também dita calo de balcão, calo de sinuca

Quem for botequeiro entenderá.                            

Meu esporte preferido

É tentar a sorte na roleta russa dos amores proibidos.

Hoje o meu coração amanheceu mal ajambrado

E eu me pus a pensar que essa história de sabedoria

É história pra boi dormir.

Se é verdade que os bons morrem cedo

Nós que envelhecemos, envelhecemos

Para continuar a fazer as mesmas merdas.

Encerrei minhas buscas sem descobrir,

Quem é a quarta pessoa da santíssima Trindade

Mas cheguei à conclusão de que o poeta

É definitivamente o quinto elemento.

É manhã de domingo.

Estou com uma mão no suicídio

E a outra mão no cabrito.

Formigas miúdas sobem pela cerâmica

Branca da parede.

Dois bebês lagartixa saíram correndo.

Detrás da porta de madeira do banheiro

Assim que me sentei no vaso sanitário.

Eca! Eca! Eca! Devem terem ditas entre si.

Lá na língua secreta das lagartixas.

Na mente a imagem do corpo

Da morena que me visitou ontem

À noite, e não era sexta-feira.

Ela me disse que é formada em medicina nativa

E que o seu bisavô é era índio Krenak

Ela fez bronze e tatuou no corpo o nome do namorado.

Depois que ela se foi eu fui dormir

E sonhei com o que foi real

Eu dando tapa na bunda maravilhosa dela.

Tapas e mais tapas moderadamente

Sobre o nome de santo do namorado dela.

Meu xará, cujo segundo nome é Vital

Em homenagem a Santo Vital De Milão.

Será que quando envelhecemos.

Envelhecemos para continuar fazendo

Mesmo sabendo dos riscos

As mesmas merdas de sempre.

Estou mergulhado em águas tão profundas

Que já não sei se sou o Capitão Ahab

Ou o enorme e belo cachalote Moby Dick.

Copyright© Tom Vital 13/09/2026