terça-feira, 9 de agosto de 2011

Errata Bíblica


"Qui est sine peccato,
"Primum in illa lapidem mittat."
(São João, cap.VIII).
Errata Bíblica



Santa Maria Pinta Niña

Jesus Cristo esteve nas Américas

Era marujo timoneiro

Foi com ele que Colombo

Aprendeu a prova do ovo.


 

Bigamia não é pecado

Também não é pecado

Já dizia meu finado amigo

Zé Geraldo Filho:

Desejar a mulher do próximo

Principalmente quando ela é jovem

Bonita e lhe dá a maior bola

O único perigo

É o gosto do chumbo.

Pecado, safadeza, é usar batina

E abusar das criancinhas

Pecado, safadeza, é dizer-se pastor

E abusar do dízimo dos humildes.


Adão era cheio de tesão

Mas como bom malandro mineirinho que era

Ele não provou da maçã primeiro

Antes ele tomou o sangue da serpente

Sangue ainda quente, à guisa de afrodisíaco

E com o tegumento fez um belo cinto

Com o qual enxotou Lilith

Uma vez que ela se recusou a se deitar 

Por baixo do companheiro.

Alegando igualdade de direitos...

(e mais tarde castigou Caim

(Que ensinou cachorro a ganir)

Depois dormiu com a Eva

E comeu a maçã de sobremesa.


 

Deus era Brasileiro, falava Uai!

E criou o mundo em um dia.

Essa história de criar o mundo em seis dias;

E descansar no sétimo dia

É coisa de Julião Capitalista

Ladrão de gravata, ouro, e prata


 

Sansão o primeiro Atleticano da história

Colocou fogo no rabo de trezentas raposas

Ironia do destino o primeiro milagre de Jesus Cristo

Foi a invenção da saideira.


Eva foi Clonada da costela de Adão.
Eva foi a primeira ovelha Dolly.
Se Eva era dócil?
Apenas Adão tem a resposta.

Tom Vital falou

E o escriba gravou no palimpsesto;

E num fragmento de rocha:

"Embora eu dê testemunho

De mim mesmo, o meu testemunho

É digno de fé, porque sei donde vim

E para onde vou;

Mas vós não sabeis donde venho

"Nem para onde eu vou."


 

Jesus Cristo disse:

"Eu sou aquele que é:

Platão não sabe da missa

Um terço

Quem quiser ser poeta

"Que atire o primeiro verso."

Copyright© tom vital/19/10/1999


 


 

Foto da internet
  


 

domingo, 7 de agosto de 2011

O Canto Do Lobo


 

O Canto Do Lobo

Republicado para Sávio e Alexandre

Em solteira

Minha mãe era candongueira

Cantadeira

Cirandeira

Cigarra trigueira

Com ela aprendi meu canto

Nem alegre

Nem triste

Talvez comedido

Mas não hermético.


 

Agora se a vida dá rasteira

Jogo capoeira

Dou uma voadora

Passo por sobre a cerca

Bato forte colocado,

E dou sorte;

E não tenho medo

De cara feia

De vizinho inquilino

Ou inimigo.


 

Sou de paz e amor

Bicho, companheiro!

E como o impávido e justo

Guerreiro, Jornalista José Jonusan

Que fez do jornalismo profissão de fé

Encaro de frente o bom combate

E não preciso beber cachaça com pólvora

(como fizeram os militares do Massacre de Ipatinga)

Para dar valentia e braveza.


 

Mas na vala comum

Da vida em que me encontro

Sou um lobo solitário

De pescoço em riste

Uivando para uma lua sempre ausente

E nenhuma estrela vadia

Vagueia pelo céu do meu oriente

Apenas a Regina de Fátima

Minha Estrela do Norte

Brilha pálida, pálida... Na minha Via Láctea.


 

Copyright© tom vital/22/09/2202


 


 


 


 


 


 


 


 

Canibalismo Amoroso



 


 

Canibalismo Amoroso

 

Umas mulheres eu comi
Não com dez talheres
Sou mal educado
Desconheço etiquetas
Outras me comeram:


 


 

Todo o meu dinheiro.

 

Copyright© tom vital/2007

 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Chuva De Granizo


Chuva De Granizo

 

O vento bate a porta.
Os velhos roncam,a chuva cai.
O vento bate a porta.
As crianças brincam,a chuca cai.
Chuva de Granizo.
A chuva me faz poeta
A chuva me faz criança
A chuva me faz querer
Entrar na dança....
Tenho uma mulher
Casta, porém espalhafatosa
Que só faz limpar a casa.

 


 

O vento bate a porta
A chuva me faz poeta
Tenho uma mulher só minha
Que vive maldizendo a vida
Mas quando volta
Para a realidade fugindo da interface
Da loucura...
É uma doçura
Arruma a casa e me dá ternura.

 

O vento bate a porta
A chuva me faz poeta
Não preciso da Rodrigo de Freitas
Para os meus olhos tão fatigados
A Pampulha me basta
Não preciso do Sena
Para a minha imaginação
O Arrudas me basta
Não preciso do Tâmisa
Vespasiano tem o seu Ribeirão da Mata.

 

Minas são muitas
Mas BH é única.
Copyright© Tom Vital/01/07/2007

Foto da internet.

 


 

domingo, 31 de julho de 2011

Desacato A Autoridade

Desacato A Autoridade


 

Alta madrugada

Quando voltava para casa

O poeta foi parado pela policia

Os canas já foram descendo do camburão

E jogando o poeta contra a parede

Chutando lhe a canela

E apalpando-lhe os testículos com voracidade

Quase que a esmagá-los

Nem sequer lhe pediram a identificação

Quando o poeta argumentou que era trabalhador

Um dos policiais verificando lhe a mão:

"Trabalhador? Com essa mão lisa. Mão de moça?

É que eu tenho calo é no cérebro - respondeu o poeta.

:

E o poeta foi preso por desacato a autoridade.

Copyright © Tom Vital/29/04/2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Furtivamente


Furtivamente

 

Cocô de cavalo é esterco
Titica de galinha é adubo
Dos bons.
Cocô de gente é merda
Sem romantismo
Até a bosta, da amada
É merda mesmo.

 


 

Escrevo sempre
Na primeira "pessoas"
Só assim sou verdadeiro.

 

Sou binário
Sou múltiplo
Sou mega
Sou giga
Otário
Só quando
Era apaixonado por uma rameira
E viciado em caça-níqueis
Mas isso é passado
Hoje eu não jogo
Nem purrinha
Valendo cerveja.

 

Em menino
Não se falavam em
Site internet
E-commerce e-book
Ponto com. br
Telefone celular
Nanotecnologia
Essas monstruosidades
Não existiam.
Mas eu conhecia fogão de lenha
Ferro (de passar) a brasa
E era muito... Muito mais feliz.

 

Nunca vou crescer totalmente
Recuso-me obstinadamente
A ser gente grande,
Inteiramente adulta e chata
Mas sei que também vou morrer.
Um dia...
Quando? Uma hora, qualquer hora,
Qualquer hora é hora. Ora bolas!
Enquanto isso vou compondo
Dia-a-dia. O meu próprio enredo
Ficção?Realidade?Quem o sabe?

 


 

Sem animismo, sem infância
Não pode haver poesia
Palavras concretas
Também fazem parte.
De vez enquanto piro
E liberto meus demônios
Todos juntos
Uma legião de capetinhas
Do bem.
Mas o inverno
E o outono
Me fazem são de novo.

 

Há muito tempo não mijo
No dedão do pé
Para cicatrizar ferimento.

 

Há muito tempo não como
Manga de vez com sal
Há muito tempo não chupo
Cana fresca
Há muito tempo não entro
Em boteco pra matar o bicho
Há muito tempo não devoro
Uma fatia de broa de fubá
Acompanhada de uma boa xícara
De café passado na hora
Café de grãos moídos na hora
E comprado no armazém
De seu Eleutério Villann Pinon
O velho Espanhol
Da minha infância.

 


 

Há muito tempo
Não bato o osso no prato
Para chamar o totó.
Há muito tempo
Não esmago lêndeas e piolho
Com o dedo polegar.
Há muito tempo
Não cutuco bicho-de-pé
Com ponta de agulha.
Há muito tempo
Não espio furtivamente
(No tempo que éramos crianças)
Pelo buraco da fechadura
Minhas irmãzinhas se banharem
Na velha bacia de alumínio.
Há muito tempo não vejo furtivamente
(No tempo em que ainda mordia chupeta)
Minha avó pela greta, da porta, segurar a barra
Da saia para mijar de pé na privada
Há muito tempo
Você não vem e vai furtivamente
Há muito tempo não frequento a sua alcova furtivamente,
Alta madrugada, enquanto o seu marido ébrio roncava
Alto no quarto ao lado.
Há muito tempo
Não ajo furtivamente.

 

Copyright©Tom Vital/03/10/2000

 


 


                    (imagem da internete )


 

sábado, 2 de julho de 2011

Livro


Livro
Ah!Como é difícil
Resistir à salutar tentação
De se entrar em uma livraria
Para comprar um bom livro
É algo assim...
Como um vício
Mas um vício bom.

 

Em tempos idos
Tive uma namorada
De nome Tecla.
Era morena
Era bela
Era fada.
Hoje deve
Está bruxinha...

 

Mas sempre que eu tentava
Incutir-lhe
O gosto pela leitura.
Ela vinha
Com o mesmo e velho bordão
Usado para qualificar
Ou será desqualificar?
Todo e qualquer assunto
Que não fosse
De seu inteiro agrado:
"Pra quem gosta
"É um prato cheio..."

 

Como já disse
Ela também
Era um prato cheio.
Hum!...
E que prato.
Mas um dia
Nossos caminhos
Se descruzaram.

 

E durante algum tempo
Me vi privado
Do bem-bom da vida...
Que é o amor
Em toda sua plenitude.

 

Bendito seja
Esses tempos produtivos
De grata inspiração poética.
Maldito seja
Esses tempos difíceis
De recursos parcos.
Em que não posso
Dispor de meu soldo
Tão livremente.

 

Livros!
Benditos sejam
Todos os livros
Que sempre me dão
Prazer e alegria
Na hora certa
Na medida exata...
Copyright©Tom Vital/05/08/2002