quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Errata Bíblica


"Qui est sine peccato,
"Primum in illa lapidem mittat."
(São João, cap.VIII).
Errata Bíblica


Santa Maria Pinta Niña
Jesus Cristo esteve nas Américas
Era marujo timoneiro
Foi com ele que Colombo
Aprendeu a prova do ovo.


Bigamia não é pecado
Também não é pecado
Já dizia meu finado amigo
Zé Geraldo Filho:
Desejar a mulher do próximo
Principalmente quando ela é jovem
Bonita e lhe dá a maior bola
O único perigo
É o gosto do chumbo.
Pecado, safadeza, é usar batina
E abusar das criancinhas
Pecado, safadeza, é dizer-se pastor
E abusar do dízimo dos humildes.


Adão era artesão
Adão era cheio de tesão
Mas como bom malandro carioca que era
Ele não provou da maçã primeiro
Antes ele tomou o sangue da serpente
Sangue ainda quente, a guisa de afrodisíaco
E com o tegumento fez um belo cinto
Com o qual enxotou Lilith
(e mais tarde castigou Caim
(Que ensinou cachorro a ganir)
Depois dormiu com a Eva
E comeu a maçã de sobremesa.


Deus era Brasileiro, falava Uai!
E criou o mundo em um dia.
Essa história de criar o mundo em seis dias;
E descansar no sétimo dia
É coisa de Julião Capitalista
Ladrão de gravata, ouro, e prata


Sansão o primeiro Atleticano da história
Colocou fogo no rabo de trezentas raposas
Ironia do destino o primeiro milagre de Jesus Cristo
Foi a invenção da saideira.
Tom Vital falou
E o escriba gravou no palimpsesto;
E num fragmento de rocha:
"Embora eu dê testemunho
De mim mesmo, o meu testemunho
É digno de fé, porque sei donde vim
E para onde vou;
Mas vós não sabeis donde venho
"Nem para onde eu vou."


Jesus Cristo disse:
"Eu sou aquele que é:
Platão não sabe da missa
Um terço
Quem quiser ser poeta
"Que atire o primeiro verso."
©tom vital 19/10/1999















terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Na Estrada Para Estocolmo

Na Estrada para Estocolmo


 

Não distingo água e vinho

Vinho e água

Pão e sal, sal e pão

Sou quem sou...

Se não fosse

Não lhes diriam

Químico poeta

Preparo eu mesmo

Meu próprio alucinógeno.

Há muito venho pavimentando

Minha via poética

Com guano de pombo.

Sou antiaderente

Detesto pessoas adesivas

Caminho sempre só.

Meu coração de poeta

Varri para trás da porta.

Tenho olhar aguado

Feito um cão vira-lata

Ou cadela no cio.

Aedo me fiz imortal

Mas carrego um inferno no peito.

O meu nome você sabe

Você viu

No velho mapa-múndi

È nome de homem e de nação

Na Itália existe um ditado:

"... São todos bons".

Veja a grandeza do meu nome.

Meu avô era um velho índio

De antepassados incas

Criei a minha própria lenda

E já não sei o que é verdade

E o que é mentira.

Não sou poeta

Sou pó erva

Pó mate

Pó eira cósmica

Sem eira nem beira

Polichinelo

Não pé de chinelo.

Toda estrada que pego

Todo atalho me leva a Estocolmo

Estocolmo me espera

Estou chegando

Suado cansado descalço

De pé no chão

Arrastando a língua

Implorando amor

E perdão de puta

Chupando manga

Recebendo chutes

Feito um cão sarnento.

Mas não recebendo ordens

De um sargento

Sou capitão

Do meu próprio regimento

De marionetes de papelão.

Bambo-balão

Quero arroz com feijão

Depois um banho quente

Uma cama macia

E uma loira de verdade

O que mais posso querer

Chegado a Estocolmo?


 

©tom vital/22/02/2009


 


 


 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Alquimista

Eu sou um alquimista

Discípulo de fulcanelli

E Moschus o fenício

Aquele que afirmou que o átomo

era divisível

embora Demócrito

por ignorância ou teimosia

tenha insistido no contrário

Eu sou um alquimista

Que transforma palavras

Em poesia

E labuta para transmutar

Poesia em ouro.


 

© tom Vital/2011

Apresentação




Apresentação
Nesse país
De muitos Tons
Tom Zé tai
Fazendo música boa
Boa arte
Tom Jobim partiu,
Deixando mais que saudade.


Oh Yes!
Eu não sou Moisés
E nem José,
Carpinteiro, do Egito
Ou Saramago.


Sou o caos
Sou o cosmos
Sou caosmopolita:
Negro quando o negro é oprimido
Índio quando o índio é oprimido
Judeu quando o judeu é oprimido
Palestino quando o palestino é oprimido.







Sou antes de tudo Atleticano
Brasileiro e belo-horizontino
Caieirense vespasianense
E galo de terreiro.

Oh Yes!

Eu não sou Moisés
E nem José
Sou irmão da Irma
E da Elita
Da Elcía
Do Jonas
E da Maria Helena.


Oh Yes!
Eu não sou Moisés
E nem José
Sou filho da Adrenalina
(mais conhecida como Dona Dica)
Com o Vitalino
E do lado paterno
Neto do "Quileu Carolino."
Bruxo e mandingueiro
Índio e feiticeiro
Que na velhice não largava mão
De um cajado, com um dente
De cobra, incrustado.


Oh Yes!
Eu não sou Moisés
E nem José
E fodas
Se a festa acabar
Antes da hora.


Sou o caos
Sou o cosmos
Sou caosmopolita
Só mais uma dica
Sou casado com a Regina
De Fátima Lima carvalho.
Sou aquele que entre o alfa e o ômega
Está sempre alerta
Oh sim!
Sou Tom Vital
Que chora e vai cantando:
E ao contrário de Tomé
Tenho que tocar para crer.


Vim para ficar
Vim para pregar
A paz e o amor
A liberdade e a igualdade
A fraternidade e a reciprocidade
E no fim de tudo
Quando a Morte-jardineira chegar
Espero que o meu legado
Tenha sido o da ternura.
©tom vital/27/07/1997

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Cu De Burro

Tomou um cu de burro
Soltou um urro agudo
Saltou por cima do muro
E deu de cara com o mundo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Curta Metragem


 


 


 

Curta Metragem


 

Em face dos últimos acontecimentos

Queria me atirar no Ganges

Mas Vespasiano tem apenas

O Ribeirão da Mata

Onde nadam pacas, onças

E capivaras.

E o barbeiro Enéias pesca

Enormes dourados.


 

Tenho muitos amigos

Mas estão todos no inferno

Quem precisa de amigos no céu?

©Tom Vita/2009