Bagagem
Adélia!
Amélia da poesia.
Prado, onde uma vez
Eu me debrucei.
E aprendi:
Que podia fazer poesia
Sem perder tempo
Com rima inútil.
Copyright©tom vital/18/09/1988
Bagagem
Adélia!
Amélia da poesia.
Prado, onde uma vez
Eu me debrucei.
E aprendi:
Que podia fazer poesia
Sem perder tempo
Com rima inútil.
Copyright©tom vital/18/09/1988
Crônico Poema De Domingo
"Thanks to codeine I am a happy person..."
No domingo, quando você está,
Sentado no sofá na sala de estar.
Bebendo a sua cerveja mofada.
E comemorando o gol do seu time.
Seja ele o Galo Doido Das Gerais
O Rubro Negro Carioca
Ou o ABC, ou o America de Natal...
Invariavelmente sua mulher sai com essa:
"Você não acha que, já bebeu demais, por hoje não?"
Mas quando na segunda-feira, ou no decorrer,
Da semana, quando você acorda sempre:
As cinco da matina, ainda escuro,
Pronto para pegar aquele
Buzão lotado, para ir para o trabalho
A fim de ganhar o pão, com o suor do próprio corpo
Alguma vez a sua mulher, já brigou contigo
Por esse motivo?
Tanta coisa boa pra se fazer
Nessa bela manhã de domingo
E você querendo quebrar o pau comigo?
A roupa suja pra se lavar lá no tanque!
A comida pra se fazer lá no fogão!
O carro pra se guardar lá na garagem!
A horta pra se cuidar lá no quintal!
Tanta coisa boa pra se fazer
Nessa bela manhã de domingo
E você querendo quebrar o pau comigo?
O jornal pra se ler jogado sobre o tapete!
A cerveja gelada na geladeira pra se beber!
A Copa na TV pra se ver!
E você querendo quebrar o pau comigo?
Que mulher insensata...
Que mulher insensível... Meu Deus!
Copyright©Tom Vital/2002
O poeta marginal
É fácil ser poeta oficial
Apoiado pela academia
Pela academia ser indicado
Para o vestibular.
Mas o sistema... Caralho!
O sistema é devorador
O sistema monstro devorador
Assimila tudo.
O sistema sabe como manipular
Seus ideólogos estão sempre de plantão.
O sistema não cochila nunca.
Beat ou Marginal
O sistema sempre devora
Assimila tudo.
Não há como fugir
O poeta marginal
Virou burguês
Agora tem conta
No Santander
Para receber
O salário.
No fim do mês.
Copyright© Tom Vital/22/05/2012
O Medo Do Goleiro Na Hora Do Pênalti
O Medo do goleiro na hora do pênalti
É como o medo do macho diante da fêmea
É como o medo da fêmea diante do macho.
O medo do goleiro na hora do pênalti
É como o medo da mulher na hora do parto
É como o medo da criança que nasce diante
Do mundo que a recebe.
O medo do goleiro na hora do pênalti
É como o medo do solitário diante da noite
Estranha que o acolhe.
É como o medo da gente diante da vida
É como medo da gente na hora da morte.
O medo do goleiro na hora do pênalti
É como medo da bela diante da fera
Que a vai devorar ferozmente
É como o medo da fera diante da bela
Que sua natureza inerente tem que devorar.
O medo do goleiro na hora do pênalti
E como o medo do autor diante da folha em branco
É como o medo do pintor diante da tela limpa.
O medo do goleiro na hora do pênalti
É como o medo da cria diante do criador
É como o medo do criador diante da cria.
O medo do goleiro na hora do pênalti
É como a dúvida do suicida, que não sabe,
Se vai ou não encontrar absinto,
No fundo do abismo!
Copyright ©Tom Vital 18/03/1983