terça-feira, 11 de outubro de 2011

Cotidiana Loucura

Cotidiana Loucura

Volto a mim à minha solidão solitude

E crio asas para me libertar...


 

É preciso que todos enlouqueçam

Para que o mundo se torne puro e belo

Porque somente a loucura

É a verdadeira libertação.


 

Às vezes sinto vontade

De arrancar minhas roupas

Em plena Avenida Afonso Pena

Enrolá-las numa pedra

E atirá-las no Rio Arrudas.


 

Às vezes sinto vontade

De arrancar minhas roupas

E ficar nu

Como se Belo Horizonte não fosse

Uma cidade grande

Habitat de homens ditos civilizados.


 

Às vezes sinto vontade

De arrancar minhas roupas

E ficar nu

Como se eu fosse um índio

Aqui uma selva virgem

E ninguém fosse reparar

Minha inusitada atitude.


 

Às vezes diante de tanta

Vontade de liberdade

Tenho necessidade

De fugir do mundo.

Às vezes sinto ser

Minhas pretensões pura utopia

Então me fecho num quarto escuro

E fico ali até passar

Minha cotidiana loucura.


 

Volto a mim a minha solidão solitude

E crio asas para me libertar...


 

Copyright Tom Vital/01/04/1982


 

(Esse é um poema lá do comecinho... Quando tudo parecia mágico.

(Mas creio que a essência continua a mesma.)

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. é preciso um grande deserto para que possamos abrir o vão do peito, por onde flui a solidão que o mundo frui...

    a loucura é o sonho do desesperado, aquele que abandonou o mundo e não água benta que o faça voltar,...

    ResponderExcluir