sábado, 30 de janeiro de 2021

Always Being Poet


 

Always Being Poet.

Não sou baeeeeeeeeea

E nem outback

Sou mineral.

Não sou Torquato

Sou Tom Torto.

Pobre, poeta lírico.

Um amigo meu na casa dos sessenta

Ontem me disse.

Que quando jovem passava horas a fio

Sentado no vaso lendo jornal ou livro

E que agora só consegue cagar fracionado

E que todas as manhãs antes de tomar

O banho e ir para o trabalho

Precisa sentar no vaso umas três vezes.

Uma citação: Só se deve limpar o

Ouvido com o cotovelo.

Disse me um otorrinolaringologista

Quando eu era menino e enfiei

Alguma coisa no ouvido.

E mamãe desesperada me levou

Ao Médico para que o objeto

Fosse retirado.

Hoje no ônibus uma jovem simpática

Perguntou-me candidamente se eu sabia

O significado da frase bordada nas costas

Da minha jaqueta do exército

Respondi-lhe educadamente que apenas uso

Uma roupa com uma inscrição

Quando sei o significado

Ainda que esteja escrito em Inglês

Japonês ou javanês

E que no caso em questão

A frase apesar de estar em inglês

Era de minha autoria.

No momento eu também estava trajando

Uma calça jeans aquisição de segunda mão

Uma boa calça, porém, de outros carnavais

Calça boca de sino, pantalona...

Ajustada para o fashion moderno

Há quem diga que essa minha calça

É tão antiga que ela já ouviu

Os sete cabeludos ao vivo.

Sou péssimo no amor

Cometo os mesmos erros sempre.

Amo futebol e sei que é negocio

Amo, sem poder amar uma mulher 

E sei que vou dá com os burros n’ água

Divina maravilhosa

É cruel e é mulher.

Me dá tchauzinho todas manhãs

E quando lhe peço o número do zap

Simplesmente responde:" Sou comprometida".

Dizem que eu sou osso de medula

Dizem que eu sou o camisa dez

Que puta responsabilidade

Às vezes tenho vontade de acabar com tudo

Cortar o pulso com gilete

Cortar a jugular com uma navalha

Inalar gás, dá um tiro de quarenta e quatro

Nas têmporas e acabar com o sonho,

Mas sempre aparece uma mulher

Para foder comigo

E foder com a minha vida

E me retirar da rotina.

E me recolocar de volta nos trilhos

O que chamo paixão momentânea

E assim a vida prossegue

E estou próximo de completar 5.6

Não há praça não há graça

Jogo com a vida

Mas os dados da vida

São dados viciados

E a vida sempre leva a melhor

Até que a morte lhe dar uma rasteira.

A morte também possui

Seus dados viciados.

Copyright© Tom Vital/30/01/2021

Favela


 

Favela

Quando o poeta Sexta-feira

Subiu o morro para comprar maconha.

Ele não encontrou a graça

Mas conheceu Dandara.

E descobriu que a favela é pop

Que a favela é top.

Que a favela não é apenas ...

Becos e vielas.

Ao conhecer Dandara ele descobriu

Que a favela é top

Que a favela é pop

Que a favela não é apenas tráfico

E milicias, e bandidagem .

Que a favela também

Tem muita gente boa

Que a favela é cultura

Culinária e arte.

 

Copyright© Tom Vital/22/02/2001

 

 

 

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Maradona

Maradona

Somente aos deuses é permitido

Fazer gol com a mão

E encantar o mundo.

Somente os deuses habitam

O Monte Olimpo.

Somente os deuses são e serão eternos.

Maradona foi um deus dos gramados

Um deus que encantava crianças,

E marmanjos.

Maradona não morreu

Ele foi ao encontro de outros deuses

Onde continuará a brincar com a bola.

A bola agradece, eu agradeço,

Obrigado Diego Armando Maradona!

Copyright₢ Tom Vital/25/11/2020

 

 


terça-feira, 24 de novembro de 2020

Bar Corsário De PãSatã


 

Bar Corsário De PãSatã

Era noite caia uma chuva miúda

E fazia calor

Véspera de Natal, a cidade estava iluminada

E animada para a chegada do Menino.

Eu Caminhava solitário por uma movimentada

Rua de Uma Grande Cidade brasileira

Alheio ao burburinho natalino.

Indefinida cidade. Rio. São Paulo

Ou a minha amada BH.

De repente me vi, como que

Num passe de mágica

No interior de um bar

Em estilo neoclássico.

O bar estava mergulhado numa semiescuridão

Mas havia ali em seu interior um letreiro em neon

Luzes azuis verde e vermelhas

Algumas luzes eram falhas.

Mas dava para ler claramente o nome do bar:

Bar Corsário De PãSatã .

Em pé debruçadas no balcão

Duas jovens garotas de uns 20 anos

Uma loira e uma morena

Ambas me sorriram tão descaradamente

Que o Nossa Amizade se agitou

E se agigantou dentro da cueca.

Depois vi que o garçom, que estava sem camisa

Deitado sobre uma das mesas,

Tinha uma atadura para curativo

De cor branca na cabeça

E outra no tórax, cobrindo parte

Da frente e das costas.

Fumava um charuto cubano

Mas o cheiro era de maconha

Cheiro bom de maconha da boa.

Reparei melhor e então percebi

Que se tratava do próprio Che Guevara

Em pessoa.

Fiz o meu pedido, ele me indicou a

Máquina de autoatendimento onde

Eu deveria sacar um voucher

No valor que pretendia gastar

Fiz o que ele mandou

Gastei de cara cem reais

E pedi uma cerveja uma dose Jack Daniel’s

Sem gelo e uma porção de fritas

As fritas jamais chegaram.

Eu já estava no fim da cerveja

Quando o uísque finalmente chegou

Trazido por uma das garotas.

Mas quando tentei pegar o copo

O mesmo com o uísque se transformou

No Jão o cachorro vira-lata da família Silva

Morto no último dia 2 de novembro.

E para o qual eu escrevi um poema a pedido

De minha irmã Élcia.

Jão pulou da mesa e correu em direção ao banheiro

Perplexo e com o coração aos pulos dentro peito

Eu fui atrás do jão

Não o encontrei mais

Porém aproveitei para tirar a água do joelho

Quando voltei ao recinto

O bar estava cheio e movimentado por gente famosa

Todos já falecidos

Drummond tomando uma cachacinha mineira

Em sua canequinha de folha-de-flandres.

Vinicius isso mesmo o poetinha

Fumando e bebendo seu uísque.

Baden Powell tocando violão

Tom Jobim tocando piano

E Elis Regina cantando lapinha.

Madame Satã estava atrás do balcão

E servia a rapaziada

Cartola, Noel, Nelson Gonçalves

Belchior, e Vicente Celestino

Vestido como o Ébrio de seu grande sucesso.

Até Conde Drácula estava presente

E tomava sua dose de sangue

Puro e fresco,

Acompanhado da Ruiva Marina

Moça fantasma de duas vulvas

Que segundo a lenda perambula

À noite pelas ruas de grandes cidades.

Depois surgiu Robert Johnson que

Tocou alguns blues inclusive

Terraplane Blues e Me And The Devil Blues.

Cintura Fina da velha e boêmia lagoinha

Fazia a vez de segundo garçom.

Uma vez que Che Guevara desaparecera,

As duas jovens que me deixaram de pau duro

Também se escafederam.

Depois surgiu o Saci Pererê de gorro vermelho,

Fumando um cachimbo fedorento e como se fosse,

Um preto velho benzedor, falando rezas desconexas

Equilibrando como sempre em uma única perna

Porém era uma perna mecânica novinha em folha.

Perguntei-lhe o que acontecera com a outra perna:

Ele contou que resolveu brincar o último halloween

Mas um grupo de jovens brancos fascistas de extrema  direita

Não gostou de sua presença na festa,

Eles cortaram sua perna e a jogaram fora

Numa Cachoeira de sete quedas...

Socorrido por uma equipe do SAMU 

Ele chegou agonizante ao hospital municipal

E uma cinquentona abastada cuja cama ele visita

Uma vez por ano pagou-lhe a protese.

Manoel de Barros não bebia mas também

Estava presente e encantava sapos e pererecas.

Então meu celular despertou eram quatro e quarenta

Da manhã hora de começar a me aprontar para o trabalho

Puta responsabilidade do caralho.

Cortando o barato do meu sonho

Quando a festa prometia.

Pois o último vulto que vi adentrar o Corsário

Era ninguém mais, ninguém menos

Que o Grande Raul Seixas!

Acompanhado pelo belo e jovem casal

Vanusa e Antônio Marcos.

Copyright©Tom Vital/23/11/2020

 

 

sábado, 21 de novembro de 2020

Ebulição


 

Ebulição

O Brasil não entra em ebulição

O Brasil não entra em chamas

Porque nosso povo é bitolado

Nossa alma é pequenina

Nossa pólvora é molhada

Nossa gasolina aditivada...

E o nosso espirito aguerrido

É consumido pela paixão clubística.

Futebol é o que interessa

Futebol é o nosso ópio

Vidas pobres não interessam

Vidas negras não importam

O Brasil não entra em chamas

Porque somos um povo feliz

Pobre é de direita

Negro é de direita

E quem vira à esquerda

Está desmunhecando

Reza o preconceito,

Diz a direita.

A direita acha que racismo

É coisa de esquerda

E a esquerda acha que tudo é política

Mas a poesia não pode calar

Um negro morre espancado

Um pobre morre espancado

Ao poeta resta erguer uma lápide

De palavras ao morto ao espancado

Ao poeta resta chorar com palavras

Numa sociedade filha da puta

Que não reconhece o racismo estrutural

E acredita que racismo no Brasil

É maldito fruto estrangeiro

Produto de importação.

Copyright© Tom Vital 21/11/2020

 

 

 

 

 

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

A Força Da Poesia


 A Força Da poesia

A pulga pula
O verso pulsa.
O verso é vida .
Tenho em mim
Todos os elementos,
Sou o tempo invisível
Sou as horas
Inventadas pelos humanos.
A natureza me habita,
Sou pássaro que voa
Urso que hiberna
Lobo que uiva
Pedra que rola
Pedra que chora.
Sou terra para você pisar
Mar para você nadar
Lua para te iluminar
Sol para te aquecer.
Sou do tempo da Abreugrafia
Do lambe-lambe
Do mimeógrafo,
E do papel carbono.
A poesia corre fluida
Por minhas veias
Feito um liquido incolor
Até chegar ao cérebro
E se transmutar em ideia
E depois em palavras poéticas
E quem sabe proféticas.
Quando em estado de poesia
A minha vida não tem bolor
Tenho a percepção das coisas
Em toda a sua nitidez
E em terceira quarta quinta dimensão.
- Se sou poeta?
- Sim me assumo poeta!
E a poesia não é para os fracos.
Como bem disse o Sábio
Poeta Dinamarquês Niels Hav.
Seja bem-vindo à minha casa
A porta está aberta
pode filar o Wi-fi.
Pode beber do meu café
Tomar da minha cachaça,
Dá uma cheirada no rapé
Fumar o que quiser
O maço está ali
Sobre a escrivaninha
Ao lado do computador.
Pode pegar um cigarro
Ou levar embora o maço
Fique à vontade não fumo mais.
Mas se achas que a poesia
É coisa à-toa,
Seu empata foda,
Que confunde
A Dama Das Camélias,
Com A Dança Das Camélias.
Vai tomar banho de bacia
E peidar n’água
Pra fazer borbulha.
Copyright© Tom Vital/24 10/2020

domingo, 15 de novembro de 2020

Versos A Uma Garçonete


 

Versos A Uma Garçonete

Era noite de lua cheia

Auuuuuuuuuuuuuuu!

Quando tudo começou

Quando lhe abri meu coração

Após um ano de insônia e tortura

Era um domingo, cinco de abril

E estávamos num churrasco

Entre falsos amigos:

Ela apenas disse-me assim

- Poeta um dia eu te amarei?

Quem sabe?

Mas quero que você me faça

Essa declaração amanhã.

Quando estiver sóbrio.

Como você bem sabe

Tenho marido e  filho.

 

A meia-noite quando ela aparece

Meio bêbado, meio lobo, muito louco

Solto meu estridente uivo

Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

Que, entretanto, é abafado

Pelo som da mecânica música.

 

Ela é apenas uma garçonete

De restaurante noturno

Dama-da-noite flor amorosa

Mas com que encanto ela desliza

Flutuante entre as mesas do salão

Quando traz a bandeja

Com o vinho e a porção

De provolone.

 

Sinto o feitiço:

Em suas mãos

Em seu sorriso

Em seus cabelos.

 

A garçonete Maria Mariana

Me seduz, mas não sei se é

De ingenuidade, ou de malicia.

Mas sei que ela me seduz

Com seu jeito dissimulado

De atriz no palco

Quando as luzes se acendem

Fantasia de verdade

Que me deixa louco

Que me deixa bobo.

 

Oh! Garçonete Maria Mariana

Faça de mim segundo a sua vontade

Deixa eu ser joguete

Deixa eu ser brinquedo

Marionete em suas mãos.

Auuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

 

Oh! Garçonete Maria Mariana

Se mil reais eu tivesse

Mil reais eu lhe daria

Só para chupar a sua xoxota.

Traga-me a felicidade,

Mas como eu tenho pouca grana

Apenas a grana do motel

Deixa eu chupar a sua buceta

De graça mesmo.

Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

Copyright© tom Vital/22/02/1994

Foto da internet