quarta-feira, 4 de abril de 2012

Diagnóstico Falso


Diagnóstico Falso

 

Não perdi o trem da história

Nem o bonde da divina alegria

(Cadê os bondes? onde estão os Jardins? Pergunta Carlos)

Perdi mãe e irmã

Perdi a mocidade

Essa sim

E a saúde também.


 

Dona Dica morreu de derrame cerebral

Maria helena idem:

(Causado por uma queda sofrida no hospício onde estava internada)


 

Aos vinte e oito anos

Uma revelação um, choque

Um susto, "descubro que sou hipertenso" *


 

Por ora

Nenhum infarto

Nenhuma safena

Ou coronária


 

O ex-adolescente que tinha planos

De morrer aos dezoito anos

Feito Chatterton

Ou aos vinte e um anos

Como Álvares de Azevedo

E outros Românticos

É sacudido.

E descobriu

Que iria viver muito

Pois era maldito

Mas não era belo.

Redescobriu a vontade

A gana a sede

De lutar amar

Viver cantar e sonhar.


 

Na verdade

Perdi foi o ônibus

O buzão, o vermelhão

Que me leva para o trabalho.

Hoje vou matar serviço

Antes que o serviço me mate

Vou aproveitar o tempo

Antes que o tempo se acabe.


 

Hoje vou comer pipoca

Beber cerveja

Rebater a ressaca

Coçar o saco

Soltar gases.


 

Regina... A feijoada

De ontem

Estava ótima

Amanhã... Amanhã

É terça-feira

Retomo a rotina.


 

Copyright© Tom Vital/08/01/1996

*Era apenas medo do jaleco branco do médico


 


 


 

2 comentários:

  1. eu, à base de lozartana potássica, sigo pelos labirintos do tempo, em busca do ar fresco da cerveja gelada.

    tocar na bunda de uma mulher gostosa, dessas que aprecem nas revistas, só de biquini, com o mar de ipanema ao fundo......

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  2. Hoje vou matar serviço

    Antes que o serviço me mate

    Vou aproveitar o tempo

    Antes que o tempo se acabe.

    Quem me dera Tom, hoje meu medo da maior idade faz ainda mais sentindo, pois toda essa vida adulta me pegou de jeito e hoje o trabalho nem me deixa respirar, tem algo pior que isso? Eu que na flor da idade, murcho nessa cadeira todos os dias.

    Abraço.

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