terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Orfeu E Euridice


Orfeu E Eurídice
Para Verinha que se matou aos quinze anos de idade.
Com um tiro nas têmporas no verão de 1983.
Onde estará o meu primeiro amor?
No céu ou no inferno
Confesso que não sei?
Nossa história poderia ter sido tão bonita
Mas parece que para ser poeta
Um pouco de dor é um forte ingrediente
Inerente, essencialmente, sempre presente.
Quando lhe dei o último beijo
Já era muito tarde...
Era também o último suspiro
Ela partia rumo ao eterno.
O passado me persegue
Mas tento esquecer
Se errei foi sem querer
Minha culpa... Desconheço...
Mas agora estou em outra.
Outra mina
Me paquera.
A vida continua
E não estou com pressa
Pra encontrar o meu primeiro amor.
Eurídice partiu, foi a escolha que ela fez.
Sei que um dia vou encontrar
O meu primeiro amor.
Se no céu ou no inferno
Confesso que não sei?
Foram dias ácidos
De muita poeira
Bebedeira e choradeira.
Lagrimas rolaram
No claro e no escuro.
Mas agora estou em outra
Outra parada.
Outra estrada, torta,
Incerta, não sei?
Estou vivendo o que me resta
Dessa vida louca.
Onde estará o meu primeiro amor?
No céu ou no inferno
Confesso que não sei?
Não fui eu quem puxou o gatilho
E até hoje ninguém sabe
Se foi acidente ou suicídio.
Como disse pra policia
Estava no chuveiro
Quando escutei o estampido.
Onde estará o meu primeiro amor?
Confesso que não sei?
Mas um dia eu sei
Nos encontraremos...
Quando...
Quando eu deixar este mundo.
No céu ou no inferno
Confesso que não sei?
Onde estará o meu primeiro amor?
Confesso que não sei?
Copyright Tom Vital/10/12/1986

 


 


 

Um comentário:

  1. há amores, e amores e amores, é preciso mais de uma vida para amá-los, tocá-los, gozá-los...

    ResponderExcluir