domingo, 18 de setembro de 2011

Um Homem?


Um Homem?
Um homem é merda
Um homem é bosta
Um homem é esterco
Que um dia
Adubará a terra.
Um homem é merda
Um homem é bosta
Um homem é cinza
Que o vento carrega.
Um homem é merda
Um homem é bosta
Um homem é festa.
Carnaval churrasco
Futebol cerveja gelada
E mulher pelada...
Meia noite no hospital
Silêncio glacial.
Acompanho um doente terminal
Ele tem câncer e faz quimioterapia
Sem saber o que dizer para animá-lo
Apenas digo que um dia iremos pescar
Lá no rio Tocantins...
Tomando uma boa cachaça
Eu, ele, o filho dele e alguns amigos.
Meia noite no hospital
A morte ronda pelo corredor
Vem fazer sua colheita.
Vem vestida de púrpura
Disfarçada de prostituta
Da Babilônia.
Passa resmungando pela porta
Do quarto onde estamos
Passa resmungando
Pois ali dentro encontra-se
Um poeta em bom estado de saúde
E o seu amigo que ainda resiste
Apesar de desenganado pelos médicos.
Meia noite no hospital
Silêncio glacial.
A morte espreita
E a poesia também.
Um homem é merda
Um homem é bosta...
Meia noite no hospital
Silêncio glacial.
Já se passaram dois meses
Meu concunhado se foi
Agora acompanho
Meu velho pai
A morte espreita
A poesia espreita
Eu também...
Agora mais do que nunca
E sei que não posso dormir...
Meia noite no hospital
Silêncio glacial...
Dia seguinte...
A morte venceu
Mais uma vez
Como sempre.
Um homem é um Atleticano
Que sempre torceu para o Galo
E trabalhou na construção do Mineirão
Um homem que se finda
Como muitos outros homens...

 

Copyright/17/09/2011
( esboço)

2 comentários:

  1. força aí homem. a morte é visita aproveitadeira e sempre quer mais ki-suco e bolo do que podemos oferecer.

    é triste a ideia de uma pescaria que não vamos fazer, que a pedra do minierão ficará lá, enquanto desmanchamos no ar. força. não temos força o suficiente para vencer o mundo, mas temos que fingir que a temos, senão a morte se aproveita. temos quechorar sem ela ver, de pé. carregando so nossos pelas alças, pro fundo da terra, de onde fomos levantados e pra onde dormiremos, como os grãos de terra que se espalham no vento...

    força aí, amigo...

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